quarta-feira, 5 de março de 2008
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
CHACONA de Rodrigo Poreli
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
CHACONA, notas da produção
CHACONA, originalmente um tipo de dança antiga de origem espanhola, geralmente em compasso 3/4. Alguns compositores do período barroco utilizaram essa dança como forma musical. A Chacona mais famosa é a de J.S Bach, em ré menor. Nela há um tema que se desenvolve a partir de variações sobre o mesmo, com um "basso ostinato" que serve como "sustentação" da peça musical. No filme utilizei trechos das Chaconas de Bach, de Vitalli, compositor italiano do Barroco, e de Jonh Adams, compositor contemporâneo. Para mim, a arte que mais se aproxima do cinema, é a música, pois as duas artes trabalham com a temporalidade, com a questão do tempo. Apesar de o cinema possuir em sua composição elementos do teatro, da fotografia, da literatura, o que dá o ritmo, o fluxo fílmico são os elementos mais de características musicais. A música trabalha a questão do tempo de forma mais cronológica, o cinema trabalha com o tempo de forma crônica, ou seja, inscreve o tempo, recorta e o constrói dentro de determinado espaço, e insere em uma película ou em outro suporte. A imagem pode ser vista como mera construção, ou seja, ficção! Então, o tema do meu filme pode ser a vida e suas questões ontológicas, momentos da vida de uma pessoa dentro de um quarto, ou fora dele, indagando sobre si mesma, sobre o destino, morte, alegria, verdade, prazer, sofrimento, paixão e saudade. Isso dentro de um tempo e espaço simbólicos e psicológicos. O filme é dividido em três partes, três variações sobre um tema simples que é o ato de viver nesse mundo, a poesia e a miséria do estar no mundo. A força poética e imanente da Chacona é a tônica da vida dentro do filme, ou do filme dentro da vida... O papel da atriz foi bem performático, valorizando bastante as expressões corporais. O filme foi filmado de manhã, pois é o acordar de uma pessoa em dois momentos distintos, dentro e fora do quarto...
terça-feira, 27 de novembro de 2007
MARIA (2005) de Abel Ferrara

Abel Ferrara é um dos nomes importantes do cinema contemporâneo norte-americano. Em seus filmes podemos perceber um mundo que sempre esmaga seus personagens, carregados de angústias, vícios, paixões e dor.
Em “Maria” vemos os principais personagens em três buscas diferentes. Tony (Matthew Modine), um cineasta que acaba de fazer um filme sobre a vida de Jesus, no qual ele mesmo faz o papel do Cristo, é incompreendido por sua obra. Marie (Juliette Binoche) que depois de interpretar Maria Madalena larga tudo para partir para Israel e viver uma religiosidade diferente. Theodore (Forrest Whitaker), um cético jornalista que apresenta programas com temas religiosos começa a questionar seu modo de vida após uma inesperada tragédia pessoal.
Todos eles estão em uma trama muito bem feita e desenvolvida com uma respeitável apuração estética. Ferrara experimenta a câmera lenta, fusões e travellings. Os planos gerais, como os de Theodore de carro por uma Manhattan noturna, denotam uma espécie de labirinto e imprimem uma sensação de aflição aos espectadores. A narrativa caminha em direção a um abismo, pontuada por implosões e excessos de seus personagens que, cada um a seu modo, tenta expressar seus sentimentos mais íntimos e perturbadores.
O autor mergulha dentro de uma história sagrada para mostrar a necessidade do amor e da crença em um mundo que se tornou cada vez mais intolerante, bruto e cético. Dessa maneira, o filme não é exclusivamente religioso, mas humano, demasiadamente humano. Esta obra incita reflexões e questionamentos sobre a nossa condição de seres humanos expostos a uma sociedade em que o amor, a tolerância e a crença ainda podem figurar no universo de todos os seres.
Por Rodrigo Poreli, cineasta amador
Por Rodrigo Poreli, cineasta amador
terça-feira, 13 de novembro de 2007
A LUZ DO CINEMA

"A luz é a substância do filme e é porque a luz é, no cinema, ideologia, sentimento, cor, tom, profundidade, atmosfera, narrativa. A luz é aquilo que acrescenta, reduz, exalta, torna crível e aceitável o fantástico, o sonho ou, ao contrário, torna fantástico o real, transforma em miragem a rotina, acrescenta transparência, sugere tensão, vibrações. A luz esvazia um rosto ou lhe dá brilho... A luz é o primeiro dos efeitos especiais, considerados como trucagem, como artifício, como encantamento, laboratório de alquimia, máquina do maravilhoso. A luz é o sal alucinatório que, queimando, destaca as visões..."
Federico Fellini
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
VIAGEM AO PRINCÍPIO DO MUNDO (1997) de Manoel de Oliveira
No princípio, o silêncio. Epígrafe de Nietzsche para a tela escura: “Tornar-se mestre do caos em que estamos”. Os créditos e a afetuosa dedicatória à memória de Mastroianni, último filme do ator italiano com o diretor. A música pouco caracteriza este filme. Quando há, é dissonante. Dissonâncias é o que há no mundo e em cada um dos indivíduos. As memórias de Manoel, o diretor, as lembranças de Afonso, o ator, da memória do seu pai, português, que cruzou as montanhas de Espanha, não estabelecem ponte de contato. As aulas de história de Duarte e a displicente curiosidade da jovem Judite não se encaixam. Cada qual parece ligado a um tempo e a um momento, incongruentes entre si, fechados para o outro, mas harmoniosamente dispostos na viagem ao princípio do mundo.A primeira tomada do filme é do asfalto, da estrada. Plano fechado. Ela se repete, mas não é a mais importante. Aliás, não há grandes recursos técnicos envolvidos na feitura da obra. Os personagens, que estão dentro do carro, são mostrados por uma câmera objetiva. Há o rosto marcado pela velhice de Manoel, a fisionomia contida de Afonso, a presteza de Duarte e a beleza de Judite. Todos eles, ora em silêncio, ora dialogando sobre histórias, reminiscências e lembranças, são marcados por um sentimento que se deslembra da realidade, ou seja, de saudade.
Quando saem do carro, a câmera os espera de fora. Nos planos abertos sempre estão presentes a natureza ou as construções antigas. As árvores, o Minho, o céu e as montanhas, o colégio de jesuítas, as pontes de outras eras, o Grande Hotel de Pezo e a escultura naif de Pedro Macau. Pontuando e costurando as imagens, Manoel de Oliveira, faz um passeio pelo tempo, que corrompe e transforma tudo em ruína, ao mesmo tempo que é duração, faz ficar o que passou e oferece uma resistência, ainda que mínima, à rapidez e à pressa que caracterizam o mundo contemporâneo.
Só o país da saudade para colocar no centro do turbilhão da indústria cinematográfica um realizador como Manoel de Oliveira. “Se a moda é a velocidade, eu filmo de maneira lenta”, diz o cineasta. A lentidão parece ser a forma revolucionária de viver num mundo regido pela pressa constante, na circulação excessiva em que saímos de um lugar em que não há nada para ser feito, rumo a outro, onde não há nada a fazer. É contra a febre da pressa Oliveira faz um filme aparentemente simples, filmado como um passeio, captando com sua câmera pessoas simples e lugares, memórias e lendas. Afinal, como diz Martin Buber “ser velho é uma coisa gloriosa quando se não desaprendeu o que significa principiar”.
Por Rodrigo Poreli, cineasta amador
Assinar:
Postagens (Atom)

