quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

CHACONA, notas da produção

CHACONA, originalmente um tipo de dança antiga de origem espanhola, geralmente em compasso 3/4. Alguns compositores do período barroco utilizaram essa dança como forma musical. A Chacona mais famosa é a de J.S Bach, em ré menor. Nela há um tema que se desenvolve a partir de variações sobre o mesmo, com um "basso ostinato" que serve como "sustentação" da peça musical. No filme utilizei trechos das Chaconas de Bach, de Vitalli, compositor italiano do Barroco, e de Jonh Adams, compositor contemporâneo. Para mim, a arte que mais se aproxima do cinema, é a música, pois as duas artes trabalham com a temporalidade, com a questão do tempo. Apesar de o cinema possuir em sua composição elementos do teatro, da fotografia, da literatura, o que dá o ritmo, o fluxo fílmico são os elementos mais de características musicais. A música trabalha a questão do tempo de forma mais cronológica, o cinema trabalha com o tempo de forma crônica, ou seja, inscreve o tempo, recorta e o constrói dentro de determinado espaço, e insere em uma película ou em outro suporte. A imagem pode ser vista como mera construção, ou seja, ficção! Então, o tema do meu filme pode ser a vida e suas questões ontológicas, momentos da vida de uma pessoa dentro de um quarto, ou fora dele, indagando sobre si mesma, sobre o destino, morte, alegria, verdade, prazer, sofrimento, paixão e saudade. Isso dentro de um tempo e espaço simbólicos e psicológicos. O filme é dividido em três partes, três variações sobre um tema simples que é o ato de viver nesse mundo, a poesia e a miséria do estar no mundo. A força poética e imanente da Chacona é a tônica da vida dentro do filme, ou do filme dentro da vida... O papel da atriz foi bem performático, valorizando bastante as expressões corporais. O filme foi filmado de manhã, pois é o acordar de uma pessoa em dois momentos distintos, dentro e fora do quarto...

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